Sexta-feira, 11 de Dezembro de 2009

Poema

 
 

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca
 
(Fernando Pessoa)
 
publicado por Laburrita às 22:37
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Segunda-feira, 7 de Dezembro de 2009

Amostra sem valor

 
 
Eu sei que o meu desespero não interessa a ninguém.
Cada um tem o seu, pessoal e intransmissível:
com ele se entretém
e se julga intangível.

Eu sei que a Humanidade é mais gente do que eu,
sei que o Mundo é maior do que o bairro onde habito,
que o respirar de um só, mesmo que seja o meu,
não pesa num total que tende para infinito.

Eu sei que as dimensões impiedosos da Vida
ignoram todo o homem, dissolvem-no, e, contudo,
nesta insignificância, gratuita e desvalida,
Universo sou eu, com nebulosas e tudo.
 

(António Gedeão)

publicado por Laburrita às 23:38
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Sábado, 5 de Dezembro de 2009

White Christmas-Air Supply

 

 

publicado por Laburrita às 22:52
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Sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009

Então e eu, toda a gente Me esqueceu?

 

Natal de quem?

 
Mulheres atarefadas
Tratam do bacalhau,
Do peru, das rabanadas.
-- Não esqueças o colorau,
O azeite e o bolo-rei!
-- Está bem, eu sei!
-- E as garrafas de vinho?
-- Já vão a caminho!
-- Oh mãe, estou p’ra ver
Que prendas vou ter.
-- Que prendas terei?
-- Não sei, não sei...
 
Num qualquer lado,
Esquecido, abandonado,
O Deus-Menino
Murmura baixinho:
-- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
 
Senta-se a família
À volta da mesa.
Não há sinal da cruz,
Nem oração ou reza.
Tilintam copos e talheres.
Crianças, homens e mulheres
Em eufórico ambiente.
-- Lá fora tão frio,
Cá dentro tão quente!
 
Rasgam-se embrulhos,
Admiram-se as prendas,
Aumentam os barulhos
Com mais oferendas.
Amontoam-se sacos e papéis
Sem regras nem leis.
 
E Cristo Menino
A fazer beicinho:
-- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
 
O sono está a chegar.
Tantos restos por mesa e chão!
Cada um vai transportar
Bem-estar no coração.
A noite vai terminar
 
E o Menino, quase a chorar:
-- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
Foi a festa do Meu Natal
E, do princípio ao fim,
Quem se lembrou de Mim?
Não tive tecto nem afecto!
 
Em tudo, tudo, eu medito
E pergunto no fechar da luz:
Foi este o Natal de Jesus?!!!
 
João Coelho dos Santos
(in Lágrima do Mar – 1996)
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publicado por Laburrita às 22:19
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Quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009

Vida de cão

Gostava de ver algumas pessoas com quem contacto no dia-a-dia, terem direito a um pouco de dignidade. Não sentirem vergonha quando, alguém por pena e caridade lhes oferece algo de comer, ou simplesmente uma palavra de apoio. Verdadeiros dramas dos esquecidos por quem de direito, que só vêem aquilo que lhes convêm. E prestam auxílio a quem dele não necessita. Instituições sem rosto e coração, que dentro dos seus gabinetes, nunca se darão conta dos rostos com ar faminto, que logo pela madrugada vagueiam pelas ruas, na esperança que o novo dia lhes traga algum conforto. Que sociedade é esta em que estamos a viver? Pobreza, miséria, solidão  para alguns, e outros riqueza, fausto, e desperdício em futilidades. Não sou capaz de pactuar com tanto egoísmo e hipócrisia.

 

 

publicado por Laburrita às 23:11
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Os ombros suportam o mundo


Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam os delicados morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.


(Carlos Drummond de Andrade)

 

sinto-me:
publicado por Laburrita às 00:11
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Terça-feira, 1 de Dezembro de 2009

O Natal está aí

Para muitos uma época de festejar em família, para outros a oportunidade de fazer negócio, e para as crianças é simplesmente um tempo de magia. Eu  sinceramente não dou assim tanta importância ao Natal, desde que algumas pessoas importantes na minha vida deixaram de estar presentes. Confesso não estar a sentir magia no Natal, acho sim um desperdício de dinheiro, numa altura em que muitas famílias vivem com sérias dificuldades, outras compram o que é necessário e ainda o supérfluo, só porque sentem necessidade de darem presentes aos familiares e amigos.

Outras há que se sentem angustiadas por não poderem festejar como desejavam,  por falta de recursos. Também penso que nesta altura há exagero  na compra de alimentos para a mesa da Natal. Compra-se comida como se estivéssemos com receio de o mundo estar para acabar, e fosse esta a última ceia. Contudo depois de tanto gasto e canseira, depois de tanta comida ingerida ,e outra tanta que fica sobre a mesa, acordamos com a sensação de que foi mais um dia, apenas diferente dos outros nos excessos.

Mas nem tudo é negativo, fica a alegria de termos parte da família reunida, e o prazer de ver o brilho dos olhos nas crianças na hora de receber os presentes.

 Mas o verdadeiro espírito de Natal, eu gostava que fosse vivido todos os dias, e de uma forma bastante diferente. Mas como estou sendo pouco realista, apenas desejo que todos o possamos passar cada qual à sua maneira, e nos traga a todos nós a vontade de ano após ano tentar-mos mudar a atitude face ao que pode vir a ser o verdadeiro espírito natalício.

 
RecadosAnimados.com

 

sinto-me:
publicado por Laburrita às 18:05
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