Domingo, 6 de Setembro de 2009

Pus o meu sonho num navio

imagem da net

Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...

Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.

Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.
 
Cecília Meireles
 

 

 

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publicado por Laburrita às 15:33
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Sábado, 5 de Setembro de 2009

Devia morrer-se de outra maneira


Devia morrer-se de outra maneira.
Transformarmo-nos em fumo, por exemplo.
Ou em nuvens.
Quando nos sentíssemos cansados, fartos do mesmo sol
a fingir de novo todas as manhãs, convocaríamos
os amigos mais íntimos com um cartão de convite
para o ritual do Grande Desfazer: "Fulano de tal comunica
a V. Exa. que vai transformar-se em nuvem hoje
às 9 horas. Traje de passeio".
E então, solenemente, com passos de reter tempo, fatos
escuros, olhos de lua de cerimônia, viríamos todos assistir
a despedida.
Apertos de mãos quentes. Ternura de calafrio.
"Adeus! Adeus!"
E, pouco a pouco, devagarinho, sem sofrimento,
numa lassidão de arrancar raízes...
primeiro, os olhos... em seguida, os lábios... depois os cabelos...
a carne, em vez de apodrecer, começaria a transfigurar-se
em fumo... tão leve... tão sutil... tão pòlen...
como aquela nuvem além vêem? — nesta tarde de outono
ainda tocada por um vento de lábios azuis...
 
(José Gomes Ferreira)

 
 

 

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publicado por Laburrita às 21:09
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Sexta-feira, 4 de Setembro de 2009

Poema - prefiro rosas

 

Prefiro rosas, meu
amor, à pátria,
E antes magnólias amo
Que a glória e a virtude.

Logo que a vida me não canse, deixo
Que a vida por mim passe
Logo que eu fique o mesmo.

Que importa àquele a quem já nada importa
Que um perca e outro vença,
Se a aurora raia sempre,

Se cada ano com a Primavera
As folhas aparecem
E com o Outono cessam?
E o resto, as outras coisas que os humanos
Acrescentam à vida,
Que me aumentam na alma?

Nada, salvo o desejo de indiferença
E a confiança mole
Na hora fugitiva.


Fernando Pessoa

 

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publicado por Laburrita às 00:14
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Quarta-feira, 2 de Setembro de 2009

Pensamento

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publicado por Laburrita às 23:43
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Terça-feira, 1 de Setembro de 2009

Sentido da vida - que me faz pensar

 

 

 

 Se há coisas que me deixam triste é constatar que o ser humano não está  a evoluir, continua a  sua busca apenas nas coisas que lhe dão prazer momentâneo. Estamos cá há milhares de anos e parece termos aprendido pouco acerca do que realmente cá viemos fazer.

Eu penso que não viemos cá apenas para dar trabalho e sofrimento aos nossos progenitores. Crescer apenas em altura, cometer todo o tipo de excessos, trabalhar para realizar os mais loucos devaneios, passar um mês de férias por ano em destinos exóticos, casar e ter filhos,  continuar a trabalhar até quase ao fim da vida, envelhecer, dar trabalho aos outros e despesa ao estado: E por fim fazer aquela viagem.

É claro que fazemos muitas outras coisas, umas boas outras menos boas e outras muito más: Mas se nos déssemos conta que a vida é apenas esta. Acabávamos por lhe dar outro sentido...

Devíamos ser menos egoístas, deixar-mos de olhar apenas para o nosso umbigo, sermos mais solidários, porque muitas vezes não damos conta que esta vida é tão efémera, e não repartimos pelos mais desfavorecidos, por pensar que tudo o que possuímos nos pode fazer falta.

Nós seres humanos ainda vivemos passado todo este tempo a pensar que através da guerra e da opressão contra o nosso semelhante podemos vir a ganhar algum estatuto que nos possa pensar que temos esta vida garantida.

Mas isso ainda não aconteceu com nenhum ser humano, seja ele rico ou pobre, livre ou escravo: Por isso devíamos aprender com os erros dos nossos antepassados. Esforçarmo-nos um pouco mais, vivermos todos os dias como se fosse o último, e sobretudo sermos felizes.

Este é o meu estado de alma: O que penso neste momento em que me interrogo ?Sobre quem sou? De onde vim? E para onde vou?...  

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publicado por Laburrita às 22:39
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