Quinta-feira, 20 de Agosto de 2009

A morte absoluta

Morrer. Morrer de corpo e de alma. Completamente. Morrer sem deixar o triste despojo da carne. A exangue máscara de cera. Cercada de flores. Que apodrecerão – felizes! – num dia. Banhada de lágrimas, Nascidas menos da saudade do que do espanto da morte. Morrer sem deixar porventura uma alma errante... A caminho do céu? Mas que céu pode satisfazer teu sonho de céu? Morrer sem deixar um sulco, um risco, uma sombra. A lembrança de uma sombra. Em nenhum coração, em nenhum pensamento. Em nenhuma epiderme. Morrer tão completamente. Que um dia ao lerem o teu nome num papel Perguntem: "Quem foi?..." Morrer mais completamente ainda. Sem deixar sequer esse nome.

(Manuel Bandeira)

 

 

Imagem: retirada da net

 

 

 

 

 

 

 

 

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publicado por Laburrita às 18:17
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